quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Se não fosse o vidro sujo...

Síndrome da abelha rainha

"Não acredito que sejam só os homens o travão para as mulheres chegarem às posições de poder. (...) O síndrome da abelha rainha é uma metáfora para dar a ideia que as mulheres não se ajudam muito umas às outras quando chegam a posições de poder e que tratam mais severamente os subordinados do que os homens, em particular se forem outras mulheres. Elas não cooperam tanto como os homens são capazes de cooperar, aliás, elas próprias se queixam disso."

Paulo FinurasProva Oral

Se puderem ouvir esta Prova Oral, aconselho aqui.

Conceito muito interessante!

B - C > 0

Aos benefícios que são obtidos em qualquer ação humana, retiramos os custos. No final, o resultado terá de ser maior do que zero!

Paulo FinurasProva Oral

Se queres ser eficaz...

pergunta à natureza como faz!

Paulo Finuras, Prova Oral

Pós-verdade(post-truth)... a palavra do ano!

Segundo a definição dos dicionários Oxford, pós-verdade é um adjetivo que faz referência a "circunstâncias em que os factos objetivos têm menos influência na formação de opinião pública do que os apelos emocionais e as opiniões pessoais". Este adjetivo foi escolhido como a "palavra do ano 2016". 

Dá que pensar esta escolha. Por um lado penso que devemos, quase sempre, dar ouvidos ao coração. Os nossos instintos tão desenvolvidos ao longo de milénios que nos fizeram a espécie dominante estão, muitas vezes, certos. 
Por outro lado, parece-me demasiado redutor estar perante dados concretos, relatos, estatísticas, números e não conseguirmos realizar a verdade na nossa cabeça. Esta dicotomia nem sempre é pacífica, levando-nos, não raras vezes, a tomar péssimas decisões.
O conceito não é novo. Teve um novo impulso com a eleição do novo presidente dos EUA e, por isso, foi escolhido como palavra do ano. 
No nosso burgo, no que nos diz respeito enquanto portugueses parece-me que o conceito é levado ao estremo pelos filhos de Viriato, senão reparemos em dois exemplos práticos: ainda há pessoas (muitas) que defendem Salazar e o seu regime: "havia respeito e deixavam-se as portas das casas abertas"; ainda encontro pessoas que defendem Sócrates - um dos maiores vígaros (adoro esta palavra) que Portugal teve em democracia - apesar de todas as porcarias onde está/esteve/estará envolvido. 
No fundo, o nosso país tem chafurdado neste conceito ao longo da sua história, talvez seja esse um dos seus principais problemas. Localmente, por exemplo, conheço pessoas que votam numa determinado pessoa por razões meramente emocionais que as identificam com determinados partidos políticos, não levando em linha de conta a sua matriz ideológica, mas apenas e só o seu nome e o nome dos seus fundadores. A nível nacional passa-se o mesmo. 
Os políticos portugueses perceberam, muito cedo, que em democracia não precisavam da PIDE ou do lápis azul para dominar a opinião pública. Bastava embrutecer a populaça (mais uma bela palavra) com novelas, reality shows e horóscopos. 
Que país este que se insurge contra um bisonte como o Trump mas que não faz mea culpa com os políticos que elegeu e que, de cabeça, tiveram problemas com a justiça ou estiveram envolvidos em negociatas (terceira bela palavra): Sócrates, Passos Coelho, Duarte Lima, Cavaco Silva, Paulo Portas, Armando Vara, Dias Loureiro, Isaltino Morais, Ferreira do Amaral... A lista continua com banqueiros...
Conselho meu que não percebe nada disto: nas relações pessoais deixem falar o coração. Nas relações institucionais e que envolvam o bem-estar colectivo usem a cabeça e leiam jornais! Custa muito?

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Todas as manhãs a mesma vergonha!


Confirmo!!!

"As mulheres odeiam as mulheres. É nisto que acredito. A natureza das mulheres é a de não apoiar outras mulheres. É realmente triste. Os homens protegem-se entre eles e as mulheres protegem os seus homens e os filhos."

Madonna

¿Por qué no te callas?

"Há coisas que são sagradas como a nossa liberdadezinha."
João Soares

sábado, 3 de dezembro de 2016

What a wonderful world!


Morte de um ditador

Na última semana assisti através da comunicação social a uma enorme comoção pela morte de um ditador. 
Que era uma figura carismática ninguém tem dúvidas. Que representava o seu povo e, à sua maneira, combatia o capitalismo americano, igualmente. Que existem pessoas que gostam de ditadores também fiquei a perceber. Que assassinos podem ser heróis também já sabia. 
Porém, não são razoáveis os relatos que fazem dele um grande homem.  Carisma e bondade são bastante diferentes, assim como são diferentes ditadura e democracia, populismo e simplicidade, mentira e verdade, medo, opressão...
Parece que toda a gente se esqueceu que em Cuba não há democracia há muitos anos, não há eleições, não há liberdade de expressão... 
Este homem fez com que morressem no mar milhares de cubanos que procuravam uma vida melhor. Criou campos de concentração. Fuzilou dissidentes só porque sim. Matou inocentes. Exaltou e deu poder aos carrascos. 
A semana começou com a morte de apenas um ditador. Só isso. Nada mais.
No meio da porcaria toda destaco dois testunhos. O nosso ex-presidente Jorge Sampaio disse que "as pessoas não podiam ignorar a ditadura, mas aquela figura era de uma grande simpatia". Donald Trump afirmou que tinha morrido "um ditador brutal que oprimiu o próprio povo". 
Curiosamente o mais lúcido foi o Trump. E o burro sou eu? 

sábado, 26 de novembro de 2016

Ok, mas eu gosto daqui...

Na Holanda vive-se sem necessidade de pedir favores, meter cunhas, pagar luvas (...) Portugal dói-me. Outras vezes, envergonha-me, enraivece-me, faz-me desesperar.

J. Rentes de Carvalho, Correio de Domingo

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

M.L.

Vi-te a nascer, a aparecer, do ventre materno,
Peguei em ti e logo senti um amor eterno.
Enchente os pulmões, bebeste sensações, seguiste em frente, 
Desde esse dia, senti que sentia, o coração quente.

Abriste os olhos, despertaste dos sonhos, encheste a sala,  

Como princesa, vesti-te na mesa, um traje de gala. 
És o meu mundo, o bem mais profundo, a jura cumprida,
Despertas nos teus, o azul dos céus, o sentido da vida. 

Já andas e falas, nunca te calas, estás sempre a cantar,
Tens uma aura, um "sei lá" que não fala, não sei explicar.
Quando me abraças, és o meu cinto das calças, és o meu analgésico,
Quando preciso, penso no teu sorriso, não preciso do médico.

O teu futuro, será sempre seguro, comigo por perto.
Sou um pai protector,  aliviarei qualquer dor, morrerei no deserto.
Peço ao destino, que me dê muito tino, para te proteger,
Estarei sempre aqui, velarei por ti, até adormecer. 

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Falta de homens. Muito bom!

"Há uma falta de homens enorme. Anda aí o mulherio todo, miúdas giras completamente sozinhas. (...) Primeiro os homens estão com o mal da fruta, há muitos com o mal da fruta, passaram-se para o outro lado. Há outros que são bi. Os que não estão em nenhum destes grupos descobriram que não precisam de se comprometer quando podem todas as noites engatar alguém. O problema é que o relógio das mulheres faz com que elas queiram assentar, as mulheres sonham todas com o príncipe encantado, o cavalinho, a história toda, e isto existe, neste momento há uma solidão enorme e isto é sem dúvida um problema gravíssimo." 

Luísa Castelo Branco, Prova Oral (adap.)

domingo, 20 de novembro de 2016

Redes Sociais em particular o Facebook.

Não  tenho, não quero, não gosto... 
Apesar da primeira frase parecer algo agressiva sou, essencialmente e genuinamente, uma pessoa prática. Não gosto de saber a vida dos outros (exceptuando raros casos onde me revejo na bestialidade da essência humana) e, principalmente, não gosto que ninguém saiba da minha vida.
Sim, porque é disso que se trata embora consiga perceber algumas vantagens na coisa, de cabeça elenco três: o carácter agregador de pessoas que por esta ou aquela razão não se viam há anos, o enriquecimento e uma vida muito melhor para o vosso patrão - porque todos os Facebookianos trabalham para o patrão Mark - e o surgimento de notícias e alertas importantes na vida das pessoas como, por exemplo, o desaparecimento de uma pessoa ou bem, tantas vezes prontamente divulgados. 
Sendo assim, como as desvantagens superam largamente as vantagens não tenho, não quero, não gosto e o mais curioso é que tenho sobrevivido. 
Sabiam que, por exemplo, milhares de pedófilos roubam as fotografias dos filhos dos Facebooks dos pais? Aqui 
Sabiam que o Papa Francisco apoiou a candidatura de Donald Trump? Pelo menos foi a partilha que fizeram milhões de americanos. Aqui 
Quem ainda não se comoveu com a notícia de um falecimento divulgado numa rede social com RIP's a torto e a direito de uma pessoa/celebridade que afinal estava, pasmem-se, viva?
As redes sociais são, essencialmente, o local onde, como postei anteriormente, as pessoas falam muito e lêem pouco, criticam muito e ajudam zero, publicam muita felicidade e afinal são... infelizes! Todo este post é, apenas e só, a minha opinião. 

Se precisarem eu sei onde os encontrar! Boa semana...


sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Facebook

No Facebook passam-se grandes coisas. As pessoas escrevem de mais e lêem de menos. Estamos numa época de narcisismo, como se nos estivéssemos permanentemente a ver ao espelho(...).

J. L. Pio Abreu, Revista Sábado

Concordo

O ensino secundário deveria ser preparado adequadamente para os homens, sem ser este ensino massificado de papel e lápis. No meu tempo existia actividade, trabalhos manuais, desporto, música. A falta de investimento no ensino reduziu-o ao papel e lápis e para isso as raparigas estão muito melhor preparadas. Estamos numa época em que ninguém raciocina profundamente porque só lêem no Facebook, apanham tudo de ouvido. Raciocínio, escrita, pensamento crítico, isso não há.

J. L. Pio Abreu, Revista Sábado

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Momento

Não sei se estou triste,
se sou triste.
A vida é feita de momentos,
bons, maus, de azar, de sorte:
a vida é a matemática da morte.

A sorte da decisão,
do momento,
Pode sair do coração 
e mudar qualquer contratempo.

Nos momentos há decisões,
encruzilhadas, duas estradas.
A poesia dos momentos
pode ser bela, com metáforas e aliterações,
ironias e comparações.
Mas também pode ter hipérboles,
anástrofes, elipses...

O momento da decisão ou a decisão do momento, 
pode ser fim e início ao mesmo tempo.
Eu não quero ser um momento.
Eu quero ser o momento.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Whashington Olivetto

Nós homens somos muito pretensiosos, mas as mulheres são, sem dúvida, intelectualmente superiores.

Prova Oral, Antena 3

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

A.C.

E se não há mais nada?
Se somos apenas corpo, 
Se somos apenas isto:
Pó...
Cinza...
Lembrança...
Uma foto a preto e branco
que alguém se esqueceu de queimar. 

E se nascemos
e depois morremos
e não há mais nada
e acaba tudo. 

E se todo o sofrimento acaba... 
em vão!
E se todas as alegrias são,
só, remendos da existência.

E se não houver mesmo nada, 
e a morte for a portagem desse nada, 
onde as almas são apenas e só
mentiras do tudo que foi tudo e que agora é nada.

E se não houver mesmo nada,
E se não nos encontrarmos em qualquer lugar,
Acredita que te amei desde o primeiro momento,
Que foste tudo pelo menos para mim,
E que desejo ardentemente ter sido tudo para ti,
E o nada do nada nunca poderá apagar isso. 

Amo-te.

o homem que já não sou

não me olhes agora que estou 
mais velho e não correspondo em 
nada ao homem que 
amaste, procura encarar a tristeza 
sem me incluíres, seria demasiado 
cruel que me usasses para a 
dor. para ti 
quis trazer as coisas mais belas 
e em tudo o que fiz pus o 
cuidado meticuloso de quem 
ama. não me obrigues a cortar os 
pulsos quando fores num minuto ao 
jardim com o cão 

esta noite, sem notares, sustive a 
respiração e quase morri. não deste 
por nada. julgaste que voltei a 
ressonar e até terás esboçado um 
sorriso. e se eu pudesse morrer 
enquanto sorris, pergunto 

deixo para depois, ou talvez 
desista. mas não pode ser se 
tu me olhares em busca de tudo o que 
já não existe. não pode ser, levo a 
faca maior para debaixo do meu 
travesseiro, juro-te que me 
mato se continuares assim 

valter hugo-mãe, in "contabilidade"


A propósito do facilitismo

"Sem luta não há virtude."

Pe. Terroso

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Estou doente de futuro

A depressão é a doença das pessoas que estão doentes de passado, e a ansiedade é a doença das pessoas que estão doentes de futuro.

Luís Osório

A sério?

Um homem de 72 anos residente em Coimbra vai ter de pagar 4200 euros por um crime de difamação contra o deputado do PSD Carlos Peixoto, segundo um acórdão do Tribunal da Relação de Coimbra (TRC).

O arguido tinha sido condenado pelo Tribunal de Gouveia ao pagamento de 1200 euros de multa, além de uma indemnização de 3000 euros ao deputado social-democrata, mas recorreu para o TRC que confirmou agora a decisão.

Em causa está uma carta aberta escrita pelo septuagenário, reformado, em resposta a um artigo de opinião do parlamentar, no qual este se referia ao envelhecimento da população portuguesa como a "peste grisalha".

Na missiva, o arguido escreve:

"A dimensão do nome que o titula como cidadão deve ser inversamente proporcional à inteligência - se ela existe - que o faz blaterar descarada e ostensivamente composições sonoras que irritam os tímpanos do mais recatado português", lê-se num excerto da carta escrita pelo arguido.

Eu subscrevo!

In Jornal Expresso, Adap. 

Benfica

Não me lembro da primeira vez que te vi, mas sei que gostei de ti. Não sei por que razão és tão importante para mim, sei que te amo desde que me conheço. És o primeiro amor da minha vida, sempre serás, nunca perderás esse lugar. A primeira paixão é a mais forte.
Por vezes, o meu humor confunde-se com o teu sucesso. Sinto-me triste quando perdes. Também não gosto de perder. Nunca gostei. Mesmo perdendo, alegro-me quando dás tudo, quando deixas a pele em campo, quando ultrapassas os limites, quando valorizas as vitórias do adversário. 
Sou apenas mais um dos muitos que gostam de ti, guardo um bocadinho de ti dentro de mim. Não sei explicar esta paixão.
Posso trocar tudo, pode mudar de rumo, de cidade, de trabalho, de vida, mas vou sempre gostar de ti. 
Uma paixão não se explica. Vive-se. Sente-se. Consome-se, consome-nos...
Gostava de transmitir esta paixão aos meus filhos. É bom partilhar paixões com os outros que também amamos. Sei que não se sentirão enciumados, porque entenderão esta paixão que também será a deles. Pelo contrário, saberão colocar no lugar certo os sentimentos que nos caracterizam enquanto humanos. 
Há coisas mais importantes na vida, sei que sim, há coisas mais úteis, também, mas nada me faz mais feliz do que tu. Gosto de ser assim. 




Chamem-me louco

"Os loucos por vezes curam-se, os imbecis nunca."

Oscar Wilde

Boa viagem


terça-feira, 1 de novembro de 2016

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Mr. Church

Um livro deve ler-se do início para o fim, mas deve perceber-se do fim para o início.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Casa Amarela

"Se você conversar com muitos malucos, mais dia, menos dia, você vai descobrir um génio."

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Bom ou mau? Confuso...

- Tenho saudades de minha casa, lá na Itália.
- Também eu gostava de ter um lugarzinho meu, onde pudesse chegar e me aconchegar. 
- Não tem, Ana?
- Não tenho? Não temos, todas nós, as mulheres.
- Como não?
-  Vocês, homens, vêm para casa. Nós somos a casa. 

Mia Couto, O Último Voo do Flamingo, Caminho


terça-feira, 18 de outubro de 2016

Portugal!

Afonso não bateu na mãe,
Adamastor deixou ir mais além.
Moniz não foi esmagado,
Pombal não estava errado. 

José nunca reinou,
Sócrates nada roubou.
Sá Carneiro não foi acidente,
João IV não estava doente.

O Galo não foi verdade,
Fátima não foi milagre.
Inês não morreu de paixão,
Isabel não transformou o pão.

Nuno vendeu as espadas,
Salazar tinha namoradas,
A Sebastião ninguém o vira,
Portugal é uma mentira!

Boa tarde.

domingo, 16 de outubro de 2016

Quadrado? Eu? Cada vez mais redondo...

"É importante haver um desprendimento e sobretudo tabelarmos as expectativas para que fiquemos gratos pelo que temos, mais do que estarmos permanentemente ansiosos para ter alguma coisa que não temos. 
Tento celebrar o que a vida já me deu e o que a vida me dá e tento sobretudo não desperdiçar as pessoas,  não deixar que as pessoas que eu gosto possam duvidar que gosto delas."

Valter Hugo Mãe 

Três, dois, um..

"A idade não importa a menos que você seja um vinho."

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Sim...

"O que acontece é que as pessoas desinteressam-se dos trabalhos e não os fazem bem porque não têm poder de decisão. A sociedade tem de encontrar mecanismos de colocar mais próximo os que pensam e os que fazem. Esta separação entre o trabalho manual e o trabalho intelectual, entre o trabalho de direção e de base é péssimo." (Adap.)

Raquel Varela, Prova Oral

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Bola de Sabão

Sinto o silêncio nas veias
Cada vez que, sozinho, procuro a razão
pela qual somos apenas o que somos:
um capricho do universo,
uma birra da existência,
que insiste em pensar que é mais importante do que verdadeiramente é, 
e que, por isso, comete todo o tipo de desumanidades 
quando pensa que se pode
eternizar.

Para o universo somos menos que uma bola de sabão, muito menos. 
Quem nos dera ser uma bola de sabão.
Eu queria ser uma bola de sabão.
A verdadeira sabedoria está em perceber que nunca chegaremos 
perto da existência de uma bola...
de sabão!



3 regras.

"Três regras: não prometa nada quando estiver feliz; não responda nada quando estiver irritado; não decida nada quando estiver triste."

Tati Bernardi

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Duas linhas paralelas

Duas linhas paralelas 
muito paralelamente 
iam passando entre estrelas 
fazendo o que estava escrito: 
caminhando eternamente 
de infinito a infinito. 

Seguiam-se passo a passo
exactas e sempre a par
pois só num ponto do espaço 
que ninguém sabe onde é
se podiam encontrar
falar e tomar café.

Mas farta de andar sozinha
uma delas certo dia
voltou-se para a outra lina
sorriu-lhe e disse-lhe assim:
“Deixa lá a geometria
e anda aqui para o pé de mim...”

Diz-lhe a outra: “Nem pensar!
Mas que falta de respeito!
Se quisermos lá chegar
temos de ir devagarinho
andando sempre a direito
cada qual no seu caminho!”

Não se dando por achada
fica na sua a primeira
e sorrindo amalandrada
pela calada, sem um grito
deita a mãozinha matreira
puxa para si o infinito.

E com ele ali à frente
as duas a murmurar
olharam-se docemente
e sem fazerem perguntas
puseram-se a namorar
seguiram as duas juntas.

Assim nestas poucas linhas
fica uma história banal 
com linhas e entrelinhas 
e uma moral convergente:
o infinito afinal 
fica aqui ao pé da gente!

José Fanha

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Se queres testar a amizade de um amigo...

Convida-o para lanchar e vê se ele te deixa comer a parte do meio da torrada



ou

Pede-lhe emprestada uma casa em Paris onde tu é que escolhes a decoração.

Ver aqui


domingo, 2 de outubro de 2016

Telepatia

Fumo um cigarro e controlo o tempo,
Travo uma passa e compro o momento,
Bebo um café e tudo é perfeito,
Sou muito feliz assim deste jeito.

Escrevo um poema e peço um cinzeiro,
Sinto-me mais hábil que um relojoeiro,
Compro mais um maço e tusso o catarro,
Pode faltar tudo menos um cigarro. 

Sinto ambivalência nos meus sentimentos,
Amo o meu corpo e os bons momentos,
Sofro com a perda mas mantenho a calma,
Salvo o minha vida mas perco a minha alma!


sábado, 1 de outubro de 2016

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Porque sim!

"Deixem o porque sim em paz", podia ser um bonito manifesto de um qualquer partido ou movimento popular, tantas as vezes que a expressão é desvalorizada, despersonalizada, retirada do seu contexto e conotada como erro semântico.
Por que gostas disto? Porque sim. Simples, directo, infantil, puro.
É constrangedor ouvir sempre uma voz do lado a dizer "Porque sim não é resposta", tens de dar uma razão, um motivo, formular uma ideia. Mais constrangedor é fazerem isto com as crianças, obrigando-as a adjectivar sentimentos, a verbalizar sensações. 
Se pensarmos um pouco, quantas vezes gostamos de uma coisa ou pessoa ou lugar ou... só: porque sim!, sem conseguirmos explicar esse gosto, essa fixação, essa atracção. 
Paradoxalmente, muitas vezes sabemos até que esse gosto, essa fixação, essa pessoa, esse lugar nos faz mal, mas gostamos na mesma, lá está: porque sim!, porque não!
Para os puristas da língua e para os linguistas de fim-de-semana deixo um apelo: deixem a expressão em paz porque ela é, no fundo, o retrato da complexidade do ser humano.
É mágico que essa complexidade seja retratada numa expressão tão simples e tão nossa. só: porque sim!


quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Divertidamente

"Eu acredito na sorte: de que outra maneira podemos explicar o sucesso daqueles de quem não gostamos?"

Jean Cocteau

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Do bom!

"Uma garrafa de vinho meio vazia também está meio cheia/mas uma meia mentira não será nunca uma meia verdade."

Jean Cocteau

A culpa morreu solteira?

"A privacidade começa a ser, cada vez mais, um sinal exterior de riqueza..."

Raquel Varela, O último apaga a luz, RTP3



?

sábado, 24 de setembro de 2016

Ui!

"O problema não é escolher uma mulher. O problema é você desistir de todas as outras."

Todas as mulheres do mundo, Domingos Oliveira

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Madness

" (...) a loucura, quando dá a um grande número de pessoas, chama-se sociedade contemporânea."

In "Jesus Cristo Bebia Cerveja", Afonso Cruz

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Melhor que a formulação original...

"Lembra-te de que quando Deus fecha uma porta abre-nos um livro."

In "Jesus Cristo Bebia Cerveja", Afonso Cruz

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Excitare

De manhã acordo e pareço mudo,
com falta de sono, tenho falta de tudo:
Os vidros da alma estão todos partidos,
A luz da manhã fere-me os ouvidos,
A noite foi longa ainda ouço gemidos!

Saio porta fora e bebo um café,
Sento-me no palco do Cais do Sodré:
Recebo o ardina com notícias más,
O mundo em guerra e eu sem a paz,
O azul é preto, o verde é lilás!

Depois do cigarro chega a melodia,
De Chopin ou Schubert parece outro dia:
A minha cabeça já não é passado,
A raiva do mundo foi para outro lado,
Saio e pago a conta com o olhar transformado.

sábado, 17 de setembro de 2016

Copo cheio ou copo vazio?

George Orwell disse um dia que pertencia à parte alta da classe média baixa.

Curiosamente eu também pertenço.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Sinais dos tempos...

Quando estás no elevador com pessoas desconhecidas e sentes aquele incomodozinho...

pegas no telemóvel e acedes a uma rede social!

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Não é preciso ir ao oftalmologista!

"As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar os olhos."

Rubem Alves 

No fundo as palavras são os óculos da mente. Ajudam-nos a compreender o mundo. Formam o pensamento das crianças. Aguçam o engenho, a criatividade... São um pouco de nós, fazem parte de nós. 
Quantas mais palavras conhecemos, melhor conhecemos o mundo que nos rodeia e melhor o pensamos.

Digo eu que não percebo nada disto!




segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Perturbador!

"A morte não é o contrário à vida, a morte é o contrário ao nascimento. A vida não tem contrário".

Deepak Chopra

sábado, 10 de setembro de 2016

Velha

Vi uma velha, cheia de velha,
Cara de rugas, olhos de menina.
Bege carranca, branco gadelha,
fedor a preto e a naftalina.

Já fora nova, cheia de nova,
fogo no rosto, luz no olhar.
Agora dormia, sentada na cova,
Caronte virá para a abraçar.

O espectro da velha, fez-me pensar,
tirou-me a paz, roubou-me a calma.
Tudo apodrece, menos o olhar,
porque ele é o espelho da alma!



Pergunta da semana

Por que é que os extraterrestres/OVNI's aparecem sempre a bêbados/malucos e nunca a doutorados em Astronomia?


quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Permitam-me que substitua Caridade por Amor!


O amor é paciente, o amor é benigno; não é invejoso, não é altivo nem orgulhoso; não é inconveniente, não procura o próprio interesse; não se irrita, não guarda ressentimento; não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O dom da profecia acabará, o dom das línguas há-de cessar, a ciência desaparecerá; mas o amor não acaba nunca.

1ª Carta de S. Paulo aos Coríntios (Adap.)


quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Bora lá jogar "Azar do Caralho!"


Da minha Infância

Cortei-me num dedo, 
Fiquei a sangrar.
Mas não tive medo,
Deixei-me tratar.

Com um penso lavável, 
Que a mãe aplicou.
O sangue parou,
Não é formidável?

Livro Primeiro Ciclo, Segunda Classe, 1988

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

P(ó)S

Por-que tenho o destino na mão,
Por-que caio espancado no chão?
Por-que sou um coração a bater,
Por-que a alma me está a doer?

Por-que uso mal a liberdade,
Por-que valorizo a palavra: saudade?
Por-que tenho um cérebro deste tamanho,
E um esqueleto de barro castanho?

Por-que choro sem sentido e procuro,
A verdade na mentira e no escuro?
Por-que penso que sou mais do que pó,
Por-que procuro gente quando quero estar só?

Por-que vou ao abismo buscar o céu,
Por-que assumo a culpa e me torno réu?
Por-que transpiro dor e não tenho paz,
Por-que sou um valete e me acho um Ás?

No passado nunca fui importante.
No futuro serei um mísero instante?

PP


sábado, 3 de setembro de 2016

Infelizmente, tenho razão!

Aqui

"O que se passa neste infeliz País é que há demasiadas coisas a puxar para "baixo" ou a travar o caminho para cima. E como se passa sempre nestes casos não faltam pessoas, muitas por interesse ou elitismo – isso sim verdadeiro elitismo –, a ajudar a manter o estado de coisas. Aqui, como em muitas outras matérias, há também uma "luta de classes" latente, que encontra um "ópio" (e uso deliberadamente uma das expressões mais viciadas que há) neste embrutecimento colectivo."

José Pacheco Pereira, A Lagartixa e o Jacaré, Revista Sábado.

Bom fim-de-semana!


Não sou o criador de nenhuma das frases, mas concordo.

Quem inventou a frase: "dormir como um bebé", nunca teve filhos.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Será?

"Lembre sempre que o mais importante num bom casamento não é a felicidade e sim a estabilidade."

In "O amor em Tempos de Cólera", Gabriel Garcia Márquez


quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Só tenho um adjetivo: gostei!

"Parece que não é só impressão. Alguns estudos corroboram aquilo que sabemos: dizer palavrões é uma espécie de analgésico barato. Ou seja, fazem bem à saúde. E até podem ser sinal de que a pessoa que os usa em excesso é criativa (mas isso talvez seja puxar a corda quase até partir).

Seja como for, os palavrões são uma espécie de armas mentais: permitem-nos insultar, excitar, animar, enfurecer e, em geral, acordar toda uma série de emoções muito fortes em qualquer pessoa. Se quase todas as palavras nos fazem sentir uma ou outra emoção, os palavrões são uma espécie de injecção de adrenalina na mente."

In Doze Segredos da Língua Portuguesa, Marco Neves, Guerra & Paz, 2016. 

Para mim a explicação é simples e não eram precisos estudos nenhuns: os palavrões não passam de interjeições como "Ai! Ui! Oh! Hum!" e já deviam estar plasmados nos dicionários e gramáticas com essa classificação morfológica. 
Porém, ao contrário das interjeições citadas, os palavrões tiram a dor (mais uma vez não eram precisos estudos) e são o melhor analgésico que existe (é a minha opinião que corrobora os tais estudos), senão vejamos um caso prático. 
"Trilho um dedo numa porta." Se disser imediatamente: "foda-se!... ca-RAAA-lho!" e abanar a mão de cima para baixo várias vezes a dor passa mais depressa, dói menos. 
Caso contrário, se estiver na presença de sua excelência reverendíssima o Papa Francisco e não puder dizer "foda-se!", nem "caralho", nem "puta que pariu a porta!" e apenas disser: "bolas, aleijei-me", acreditem, a dor atormenta-nos muito mais tempo e é muito mais forte. 
Por isso, lembrem-se: os palavrões não passam de interjeições, a classe de palavras mais simples da língua portuguesa e há que saber usá-los nos momentos adequados sem cair na brejeirice nem na má criação (Cuidado!), senão perderão o valor analgésico e passarão a ser "diarreia mental".
Ah! e já agora: eu sei o que é um adjetivo. 


terça-feira, 30 de agosto de 2016

A veia do poeta

Cansado do movimento
Que percorre a linha recta
Fui ficando mais atento 
Ao voo da borboleta 
Fui subindo em espiral 
Declarando-me estafeta
Entre o corpo do real 
E a veia do poeta

Mas ela não se detecta 
À vista desarmada
E o sangue que lá corre
Em torrente delicada 
É a lágrima perpétua
Sai da ponta da caneta
Vai ao fim da via láctea 
E cai no fundo da gaveta

Ai de quem nunca guardou
Um pouco da sua alma
Numa folha secreta
Ai de quem nunca guardou
Um pouco da sua alma
No fundo duma gaveta
Ai de quem nunca injectou
Um pouco da sua mágoa 
Na veia do poeta

Rui Veloso
Carlos Tê


segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Linha da Vida

Já que cheguei aqui: continuo.
Já que sonhei assim: efabulo.
Dentro de mim existe: paixão,
Tenho pavor de usar a razão.

Nunca fui o senhor de mim
Era o princípio, o meio e o fim.
Criei um abismo no coração, 
Sigo em frente ou em contramão?

O meu e o teu são os dois iguais:
São fados malditos, como outros que tais.
Serão sempre assim cravados na cruz 
Até a tormenta sucumbir à luz!

Já que nasci assim: aceito.
Nato na alma, no corpo e no leito.
Agrilhoado na solidão,
Com o caminho traçado na mão.

Daqui a Marte farei o destino,
Já não sou mais aquele menino.
Que tinha medo do mundo mundano,
Sugarei a vida até ao tutano.

PP




sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Tantas vezes explico isto ao pessoal. Ainda não consegui convencer ninguém!

"Queria um café, por favor." Ui, a velha piada que tantas vezes se ouve: afinal, uma pessoa se quer um copo de água agora não devia dizer "queria", no passado, certo? Errado. Muito errado. Os tempos verbais têm usos mais complicados do que parece à primeira vista. O pretérito imperfeito também serve para expressar cortesia. É o imperfeito de cortesia. Ah, sim, eu sei, esta frase é dita quase sempre em tom de gozo. É uma brincadeira. Pode ser: mas uma vez por outra lá encontramos casos de pessoas que acreditam piamente na brincadeira. E, para dizer a verdade, a falta de fundamento desta crítica é exactamente do mesmo tipo dos outros erros falsos.

In Blog Certas Palavras. Recomendo vivamente.  http://www.certaspalavras.net

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Cristão Ateu

"Infelizmente acho que ainda não tenho fé. Mas por que é que eu digo infelizmente? Tenho de pensar..."

José Pedro Gomes, Actor, Revista Sábado

"Descobri que Cristo está vivo. Essa foi a grande revelação. Durante o tempo que andei no túnel, nem sabia que havia Cristo, Deus. Não percebia nada, a Santíssima Trindade para mim, era uma grande confusão. Sempre aquela sensação do Deus castigador da infância. E não é nada disso - há um Deus misericordioso."

Fernando Santos, Campeão Europeu de Futebol, Revista Sábado. 

Ultimamente tenho pensado muito neste assunto: qual é a minha posição relativamente à fé, relativamente a Deus?

Tenho fé? pouca/nenhuma.
Já tive mais? sim.
Sou de tradição católica? sim. 
Gostaria de ter mais? sim. 
Existe Deus?
Existe vida para além da morte?

Ouvi há algum tempo um programa de rádio onde um dos intervenientes se definia como um "cristão ateu". Dizia ele que era de tradição católica, que acreditava em algumas coisas (poucas), que gostaria de ter mais fé,  que compreendia os seus benefícios mas que de momento sentia muitas reservas em relação a muitos dogmas cristãos como, por exemplo, a virgindade de Maria ou a Santíssima Trindade. Não poderia estar mais de acordo. 

Uma das melhores pessoas em termos de valores humanos que conheci na vida, como designaria a minha mãe por "um coração de bondade", não tinha fé, algo que Gabriel Garcia Márquez em "O amor em Tempos de Cólera" imortalizou na frase: "Era algo mais raro - respondeu-lhe o doutor Urbino. - Um santo ateu. Mas isso, são assuntos de Deus."

Posto isto, penso que terei de trilhar o meu caminho de fé sabendo que dos dois lados da barricada existem pessoas boas e más, pessoas que valem cada segundo e pessoas que só fazem o bem a pensar que estão a fazer o mal. 

De certeza que qualquer que seja o futuro em termos de fé, ao contrário do que muitos defendem, não serei melhor nem pior pessoa. A conquista da fé poderá resolver alguns medos que tenho, como o medo da morte, mas nunca me tornará melhor pessoa. 

Mas o futuro a Deus pertence! :)
(não é esta uma frase de fé?)




Consolador

"No fim tudo dá certo, e se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim."

Fernando Sabino


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O tempo do tempo

Queria andar quando não andava,
Queria falar quando não falava,
Queria saber o que não sabia,
Queria fazer o que não fazia,

Sonhei ter antes de ser...
Dei valor a momentos vãos.
Perdi segundos a tentar parecer
Julguei-me só com cinza nas mãos.

Queria estar onde não estive
Queria sentir o que não senti,
Queria ter o caminho livre
Queria viver mas não consegui.

PP









terça-feira, 23 de agosto de 2016

Almejo ter o direito de pretender conhecer

"O céptico filosófico não defende que nós não sabemos nada (ao contrário do céptico dito "normal") - até porque fazê-lo seria obviamente uma forma de auto-depreciação (deixaríamos de conseguir saber que não sabemos nada). A posição do céptico consiste antes em pôr à prova o nosso direito de pretender conhecer."

In "50 ideias filosofia que precisa mesmo de saber", Ben Dupré, 2011.








segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O meu é igual. :)

"O coração tem mais quartos do que uma pensão de putas."

In "O amor em Tempos de Cólera", Gabriel Garcia Márquez

sábado, 20 de agosto de 2016

No seguimento da mensagem anterior

"Eles são assim" "não têm vergonha nenhuma na cara". Eu ainda tento dizer que podiam disfarçar, serem um pouco menos gananciosos e cuidar das aparências, terem de facto ainda "alguma vergonha na cara"... Mas a resposta ainda é pior. "A verdade é que como não têm nenhuma vergonha na cara, estão-se a rir de nós, e a safar-se sem hesitações, a gente protesta e indigna-se, mas eles vão à vidinha deles". "Se calhar eles é que têm razão, nós somos é parvos"...
Sim, de facto, nos dias que correm, ter vergonha na cara é uma parvoíce. 

José Pacheco Pereira, A Lagartixa e o Jacaré, Revista Sábado.

Na falta de um ditador, mandam 2000.

A minha teoria é muito simples: na falta de um ditador mandam 2000. Quero com isto dizer que, depois do 25 de Abril, no nosso país mandam 2000 pessoas. 

2000 mil, 3000 mil, 4000 mil: número figurado para retratar que o nosso país é liderado por uma elite corrupta que se protege, defende, mistura... 

Registo este facto porque já igualámos 41 anos de democracia com 41 anos de ditadura. 

Porque afirmo isto?

Afirmo porque todos os dias leio/vejo/ouço nos meios de comunicação social os mesmos rostos, as mesmas famílias, os mesmos parentescos, os mesmos laços, os mesmos amigos, os mesmos discursos, as mesmas crenças, os mesmos lugares, os mesmos carros, os mesmos... as mesmas... os mesmos... 

Não raras vezes, eles próprios, os 2000 como lhe chamarei a partir daqui, se denunciam. Sou amigo de Sicrano desde a infância, sou primo de Beltrano, sou sobrinho de Fulano. Tudo às claras. 

Estudei no Técnico (um clássico). Fiz parte da Associação de Estudante na Faculdade de Direito em Coimbra (outro clássico). Pertenci à geração que desafio Américo Thomaz em Coimbra. Participei na Assembleia Constituinte. Sou administrador não executivo da Caixa, da PT, da REN, da EDP...

Maçonaria e Opus Dei? Ajuda e muito...

Tirando o mundo futebolístico onde vários "zés" se conseguem destacar e enriquecer (nem sempre bem visto), um ou outro crânio académico ou um ou outro alpinista social por casamento, os ditos 2000 são sempre os mesmos. 

Desta forma, existe em Portugal um corporativismo que perpetua os grandes e asfixia os pequenos e permite a uns quantos, reinar; enquanto o resto assiste de forma revoltada (o meu caso) ou indiferente (a maioria), mais por pobreza de espírito do que por outra coisa. (Este parágrafo tornar-me-ia comunista no Avante, coisa que não sou.)

Tudo é feito de forma a favorecer este indivíduo/instituição, a não prejudicar aquele, a proteger esta família, a não cutucar aquela. Como dizia o outro: "pomos o Moedas a trabalhar", agora Comissário Europeu.

Escrevo esta mensagem para lhes dizer que, infelizmente, o 25 de Abril falhou. As conquistas de Abril como pomposamente lhes chamam, falharam. A Democracia falhou! 

Neste país mandam os 2000. O resto é paisagem. 

PP

Às vezes, é preciso entregar o bilhete do Euromilhões!

Um comerciante arruinado que vivia no Cairo sonhou que tinha de ir a Isfaão porque ali encontraria um tesouro que lhe devolveria a riqueza. Após longas jornadas de viagem, chegou à cidade ao anoitecer. Não encontrou alojamento, pelo que se refugiou numa praça junto de uma mesquita. Nessa noite, numa casa próxima, houve um roubo, e ele foi detido juntamente com uns mendigos pelo simples facto de estar ali. O mercador explicou o motivo da sua viagem a Isfaão ao guarda, que, divertido, replicou:
- Que disparatado que és. Eu também tenho muitos sonhos por aí, mas não lhes faço caso. Uma vez, sonhei que precisava de ir ao Cairo e procurar uma casa branca que tem no pátio um relógio de sol. Atrás do relógio há uma figueira e, sob a figueira, enterrado no chão, um tesouro. Mas pensas que fiz caso desse sonho? Claro que não. Toma, pega nesta moeda e volta ao teu lar, iludido.
O comerciante pegou na moeda e voltou rapidamente à sua cidade. O polícia descrevera-lhe a sua casa. Ao chegar, procurou sob a figueira e achou o tesouro.

In "A Oficina dos Livros Proibidos", Eduardo Roca, Marcador, 2011. 

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Pensei que era uma espécie rara. Não sou.

"Os homens dividem-se em duas espécies: os que têm medo de viajar de avião e os que fingem que não têm."

Fernando Sabino

Mentalidades

"O que é feio e pobre sonha com ouro a pensar em cobre". 

In "O amor em Tempos de Cólera", Gabriel Garcia Márquez

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

O que tiver de ser, será...

Contam os sábios locais que um dia, na rica cidade de Bagdad, um criado foi ao mercado. Ali viu a Morte, que lhe fez um gesto ameaçador. Espantado, o criado foi veloz ter com o seu senhor, suplicando-lhe que lhe concedesse o seu melhor corcel para fugir o mais rápido possível e chegar assim ainda nessa noite à distante cidade de Isfaão.
- Por que queres ir a Isfaão? – perguntou o senhor.
- Porque vi a Morte no mercado e fez-me um gesto estranho.
O senhor apiedou-se do seu criado e deu-lhe o cavalo. Partiu de imediato para a longínqua cidade.
Nessa mesma tarde, o senhor encontrou-se com a Morte no mercado. Perguntou-lhe:
- Morte, porque ameaçaste o meu criado?
A Morte, surpreendida, respondeu:
- Ameaçá-lo? Não, não, apenas me espantou vê-lo aqui, quando está escrito que tenho de o apanhar na distante Isfaão. 

In "A Oficina dos Livros Proibidos", Eduardo Roca, Marcador, 2011. 



terça-feira, 16 de agosto de 2016

Presente do Universo à chegada a Santiago

O Universo através de "A menina da Harpa" presenteou-nos com esta actuação à chegada a Santiago. Além da sua beleza natural, tocou maravilhosamente. Momento Mágico. 


Intouchables Soundtrack